LA PORCA MISERIA
   
 



BRASIL, Sudeste, SAO CAETANO DO SUL, BARCELONA, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Bebidas e vinhos, moda e comportamento
MSN - apinea@uol.com.br
 

  Histórico

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros sites
 meu fotolog - cidade em baixa
 Bia Dantas - fotos e vídeos
 Carlos Reinchenbach
 Zoe de Camaris - poetisa




 

 
 

Juno, um filme na contramão do cinemão.

Juno (Ellen Page) e seu hambúrguer-fone. Foto: divulgação.

O que pode ser pior para uma adolescente que uma gravidez inesperada? Esta é uma das questões levantadas em “Juno”, do diretor canadense Jason Reitman (do também ótimo “Obrigado por Fumar”, de 2005). Longe de ser mais um filme xarope com “temática adolescente”, foi muito bem escrito pela merecidamente oscarizada Diablo Cody, aquela com tattoo no braço e vestido de oncinha na entrega do prêmio (a foto dela está dois posts abaixo).

A suposta abordagem teen é um pretexto para críticas mordazes sobre algumas das mazelas da sociedade norte-americana (e, por tabela, ocidental). A maioria dos comentários, ácidos e espertos, saem da boca de Juno, vivida por Ellen Page. A atriz, que completou 21 anos há poucos dias, engana bem como uma adolescente de 16 anos devido ao seu porte físico e carinha de menina.

Há várias sacadas bacanas, como o nome da protagonista. Ela explica que seu pai era louco por mitologia greco-romana e, se fosse homem, se chamaria Zeus. E vai além, dizendo que Zeus comeu deus e o mundo mas era casado de verdade somente com Juno...

Num primeiro momento, Juno pensa em abortar, mas, depois de visitar a clínica, resolve tomar outra atitude. Procura nos classificados por uma família interessada em adoção. E acha o casal de yuppies Vanessa (a gata Jennifer Garner, a mesma do abacaxi “Electra”) e Mark Loring (Jason Bateman, que me lembra muito o irlandês Kenneth Branagh). Vanessa é designer, certinha e chatinha. Mark é gente boa, um compositor de jingles cuja maior frustração é não ter se transformado num pop star como seus ídolos da Seattle dos anos 90. Juno, fã de Iggy Pop e Stooges, logo se identifica com o cara, que a interpreta mal...

Muito interessante a forma como Juno interage com o casal. Boa parte das críticas do roteiro vêm destas cenas. Assim como é legal a forma como Juno se relaciona com o pai e a madrasta (J.K. Simmons, o chefe de Peter Parker em “Homem Aranha” e Alison Janney, de “Hairspray”, ambos ótimos). Uma família normal, com suas crises, mas que procura se entender, uma raridade, seja hoje ou no passado.

Reitman dirige com mão leve, mas nem por isso superficial. Seus personagens transmitem emoções reais e as situações são totalmente plausíveis. Destaque também para o namoradinho de Juno, o nerd e corredor Paulie Bleeker (Michael Cera) e sua melhor amiga, Leah (Olivia Thrilby, muito sexy).

A trilha é basicamente indie, mas naquela linha mais suave, composta e interpretada pelo grupo nova-iorquino de folk Moldy Peaches, além de canções de Belle and Sebastian, Velvet Underground e até mesmo Hole e The Kinks. Vi o filme numa tarde chuvosa de domingo e caiu bem.



Escrito por Alessandro Pinesso às 14h03
[] [envie esta mensagem
] []


 

 
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]